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OS DESTAQUES
CARTA ABERTA À IEAB
Desperta Débora, desperta! Desperta, entoa um cântico. Jz 5:12
Amadas(os) irmãs(os) em Cristo,
Reunidas nos dias 08 a 11 de setembro de 2005, em Itaára RS, nós,
mulheres anglicanas, teólogas, clérigas e leigas, representantes de
todas as dioceses de nossa província, juntas com companheiras em missão
da Inglaterra, Canadá e Estados Unidos para celebrar e avaliar o
chamado que Deus fez a cada uma de nós, na construção de uma nova
sociedade e de uma Igreja comprometida com os apelos do povo sofredor;
constatamos, através dos estudos e reflexões sobre o contexto da IEAB
hoje; mulher, poder e serviço; missiologia e ministério; testemunhos e
depoimentos de várias colegas e da releitura bíblica através de uma
hermenêutica de suspeita, que:
O Ministério Ordenado de mulheres representa hoje 30% do clero
nacional, tornando a Igreja mais próxima do ideal de comunidade cristã
e mostra uma face diferente de ser e fazer Igreja. O modo feminino,
mais inclusivo, abarca o diferente e dá uma nova cara pastoral,
teológica, litúrgica, missiológica e eclesiológica, contribuindo para a
construção de uma Igreja engajada, profética, ecumênica, misericordiosa
e inclusiva.
Entendemos que, ao longo desses 20 anos, foram muitas as nossas
conquistas. Todavia, esta caminhada nos fez perceber que a Igreja
necessita ainda avançar; por isso, recomendamos que:
- a formação teológica na IEAB contemple a questão de gênero, através
da revisão curricular e do acréscimo da cadeira de Teologia Feminista
nos nossos Seminários e Centros de Estudos Teológicos Diocesanos; e que
através do CEA seja ampliada a discussão sobre o tema, por meio da
promoção de seminários regionais e diocesanos; e que a JUNET contemple
em seu programa de bolsa a formação em outras áreas do saber, como
forma de auxílio no desenvolvimento do ministério.
- a IEAB respeite a resolução do Conselho Consultivo Anglicano,
de junho de 2005, que solicita a participação feminina de 50% em todos
os níveis decisórios: cargos e comissões paroquiais, diocesanos e
provinciais;
- a política salarial das dioceses contemple com justiça e
igualdade o exercício do ministério feminino, tornando os salários
dignos e nos mesmos níveis que são pagos aos homens que exercem igual
função; e que também sejam respeitados os direitos e de previdência
complementar (FAPIEB);
Crendo que esta Igreja tem buscado a cada dia cumprir o propósito de
Deus, que não abdica nem da justiça, nem da misericórdia, é que expomos
através dessa carta nossas conquistas, sonhos e desafios, no sentido de
efetivamente vermos acolhido no seio da IEAB o sacerdócio feminino em
igualdade de condições e no respeito as nossas diferenças. Renovamos
nosso compromisso de, como Débora, sermos testemunhas da coragem, do
amor, da misericórdia, da bondade, da justiça, da igualdade, da
solidariedade e do serviço no despertar de uma Igreja profética e
comprometidas com o Reino.
Em Deus Mãe e Pai, que nos ama a todas e todos incondicionalmente,
Clero feminino da IEAB Santa Maria, 10 de setembro de 2005.
Por Christina Winnischofer - Foto oficial do EMO 2005
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